19 julho 2018

Escolhendo Plantas


Um dos maiores erros que muitos iniciantes cometem ao escolher as plantas para seu aquário é não levar em conta as necessidades da mesma e focar apenas em seu aspecto visual.

Para fazer a escolha certa das plantas que irão compor seu layout é necessário que o aquarista se familiarize com as mesmas, pesquisando suas características e necessidades individualmente.

Talvez as características de uma espécie não irão “casar” com a outra e ao tentar cultivar ambas o iniciante poderá perder uma ou outra ou até quem sabe ambas.
Muitos iniciantes começam a pesquisar sobre o hobby em locais que nem sempre estão aptos para o atender com informações qualificadas, por exemplo, um pet center, sabemos que muitos pets não possuem uma equipe com conhecimento adequado em aquarismo principalmente as pequenas lojas, muitos logistas tem apenas o conhecimento básico e muitos infelizmente só querem vender e empurram qualquer coisa para o iniciante.

Nas lojas especializadas o aquarista irá encontrar equipes que sabem quais plantas são ideais para cada tipo de aquário, quais são de fácil manutenção, quais são de crescimento rápido ou muito lento, etc.

O ideal é antes de comprar ter em mente o tipo de layout que você deseja, faça rascunhos onde cada planta irá ficar, pesquisar qual espécie é adequada ao tipo de aquário que você pretende montar, etc.

Plantas carpetes são plantadas na frente do aquário, assim como as plantas de tamanho pequeno, por exemplo Anubias nana, que são colocadas na frente ou entre rochas e troncos.

As plantas de caule que geralmente atingem um tamanho maior, por exemplo a Hygrophila polysperma, são colocadas na parte de trás do aquário ou nas laterais, dependendo do layout adotado.

Já as plantas de folhas largas ou de roseta, como por exemplo a Echinodorus ozelot, são plantadas no meio do aquário, para que suas folhas possam crescer sem nenhum impedimento.

O aquarista deve observar também a quantidade de luz que cada espécie necessita para um bom desenvolvimento, se precisa de CO², fertilização, etc. veja abaixo algumas espécies que poderão auxiliar na sua escolha, são plantas voltadas para aquaristas iniciantes, com aquários básicos:

Anubia nana
Ideal para ser plantada entre rochas ou amarrada em troncos;
possui crescimento lento, por isto é muito propensa ao aparecimento de algas caso esteja sob iluminação forte;
De manutenção simples ela é indicada para iniciantes, não requer adição de CO² ou substrato fértil, pois ela é cultivada amarrada em rochas ou troncos.

Aponogeton ulvaceus
Planta de bulbo de crescimento rápido e de fácil manutenção, indicada para o meio do aquário, você pode criar um belo contraste com ela e outras de tom mais claro, necessita de Luz forte, fertilização e CO² ajudarão no desenvolvimento.



Echinodorus amazonicus
Planta de roseta com folhas largas e grandes, deve ser plantada no meio do aquário para que as folhas tenham espaço para crescer, indicada para aquários grandes, esta planta possui crescimento moderado, gosta de iluminação media e é de fácil manutenção.

Hygrophila polysperma
Planta excelente para iniciantes, cresce rapidamente e logo toma grandes espaços no aquário, necessita de iluminação moderada, CO², não necessita de fertilização, mas a adição do mesmo irá proporcionar a planta mais nutrientes e um crescimento ainda mais acelerado.

Echinodorus tenellus
Planta indicada para compor carpetes embora tenha um tamanho relativamente grande, é de fácil crescimento e manutenção, o aquarista necessita de CO², a fertilização irá ajudar embora não seja necessária, iluminação de média a alta.


Ludwigia repens
Belíssima planta de cor vermelha, ela é indicada para compor o fundo e a parte intermediaria do aquário, de fácil manutenção, não é exigente quanto a fertilização e CO², embora com a adição de ambos ela irá se desenvolver ainda mais bonita.

No aquarismo a pesquisa e busca por informação leva ao sucesso, as vezes a compra de equipamentos de alto custo não irão ajudar muito, coisas simples podem ser bem mais efetivas, por isso, pesquise, pesquise e pesquise, leia muito, se informe em diversas fontes, isto com certeza lhe trará o sucesso.



20 junho 2018

Killifishes


Você já ouviu falar dos Killifishes? Mas o que é isto? Sua tradução vem do Holandês e significa peixe de riacho, o termo Killifish é usado para designar alguns peixes que na natureza são encontrados em lagos temporários ou poças, como estas que se formam com a chuva e em alguns meses secam e desaparecem.

Alguns possuem cores exuberantes, outros são mais comuns, geralmente possuem uma expectativa de vida de um ano, isto na natureza, devido ao ambiente em que são encontrados, existem espécies que vive menos de três meses! Há noticias que algumas espécies até podem viver fora d’agua por até dois meses!

Mas como eles se reproduzem em tão pouco tempo de vida? Como possuem um ciclo de vida muito rápido eles atingem a maturidade sexual em poucos meses e fazem sua desova depositando seus ovos no fundo dos lagos ou poças, seus ovos são especiais, pois possuem a capacidade de permanecerem em estado letárgico durante o período de seca voltando a vida assim que as chuvas voltarem e as poças encherem novamente, continuando assim o ciclo da vida.

Estes lindos peixinhos pertencem a ordem dos cyprinodontídeos que reúne uma infinidade de gêneros e espécies espalhadas pelo mundo, habitando em locais com pouca oxigenação, estes peixes são divididos em três grupos, os anuais, não anuais e semi-anuais.

Os anuais têm uma característica especial, eles vivem em poças e charcos temporários que secam durante o período de estiagem, assim os ovos só eclodem no próximo período de chuvas, permanecendo até lá em estado dormente ou em diapausa que é o nome dado a este mecanismo reprodutivo.

Os conhecidos como não anuais, são aqueles que vivem em pequenos riachos de água corrente, como igarapés, riachos e outros, não possuem a mesma forma de reprodução dos anuais, desta forma seus ovos não passam pelo processo da diapausa.

Em nosso continente as principais espécies de Killifish não anual são os Rivulus, Jordanella, Kryptolebias, etc.
Os semi-anuais são peixes que estão no meio termo do processo evolutivo, geralmente depositam seus ovos em raízes ou musgos e também podem faze-lo no substrato.

Os killifishes não são indicados para aquaristas iniciantes, pois demandam um cuidado mais apurado, raramente se adaptam com comida industrializada, preferindo alimentos vivos.

Seu Habitat natural encontra-se em grande perigo, devido o avanço da agricultura, especulação imobiliária, contaminação do solo, etc. por isto é muito importante que o aquarista conheça bem a espécie que está criando, já que muitos estão na lista de ameaçados de extinção devido a destruição causada em seu habitat natural.

Estas espécies são indicadas para um aquarista que queira se aprofundar no mundo dos Killifishes:
Não anuais – Epiplatys dagetti, Aphyosemion australe ou A. striattum.
Semi anual – Fundulopanchax gardneri.
Anual – Nothobranchius guentheri, Autrolebias nigripinnis.

27 maio 2018

Synodontis nigriventris


Quem quando criança não gostava de ficar vendo as coisas de cabeça para baixo? Pois é, existe um peixe que para ele isto é normal, o Synodontis nigriventris ou peixe-gato invertido é uma espécie que chama à atenção de qualquer um, alguns acham que ele está doente, as vezes até em seus momentos finais, mas não se preocupe ele está apenas dando um rolezinho básico.

Originário da Republica Democrática do Congo, este exótico peixe da família Mochokidae é pacifico e muito sociável, de hábitos noturnos ele adora ficar passeando pelo aquário em busca de alimentos, gosta de viver em cardumes e ficar escondido durante o dia em alguma toca no aquário.

O aquário para este peixe deve ter PH de 6.8 a 7.5, temperatura de 26ºC e muitos esconderijos, sua alimentação é muito simples, eles comem de tudo e adoram alimentos vivos, vegetais e outros.

Os machos da espécie são mais finos e mais escuros que as fêmeas, elas por outro lado apresentam o ventre mais volumoso, sua reprodução em cativeiro é muito rara e existem pouquíssimas informações a respeito.

É um peixe muito interessante e chama à atenção em qualquer aquário devido sua forma nada convencional de levar a vida.


06 maio 2018

Manutenção da Plantas

Muitos aquaristas quando iniciaram no Hobby, tinham em mente um modelo de aquário, alguns pensavam no estilo Holandês, outros nature, outros em um estilo mais limpo etc. porém ao colocarmos as plantas, notamos que com o passar dos dias elas se desenvolveram de formas diferentes, algumas cresceram bastante, outras definharam e perderam as cores e folhas, etc.

Então você fica em um dilema, o que fazer? Devo podar as plantas que cresceram demais, devo podar as que estão definhando, como fazer a poda? 
Sabemos que a poda irá melhorar o visual do seu aquário e estimulará as plantas a lançarem brotos mais fortes e isto melhorará a saúde das plantas, mas nem todas as plantas são podadas da mesma forma, você precisará conhecer as plantas para fazer uma poda adequada, então vamos lá.
  
Plantas de Caule (por exemplo, Cabomba, Ludwigia, Hygrophilla).

As plantas de caule são aquelas que se desenvolvem com uma haste e as folhas saindo da mesma, a poda é simples, basta escolher o ponto desejado e corta-lo, geralmente eu corto ligeiramente acima do nó.

As partes cortadas acima deste nó podem ser replantadas caso você desejar, ao fazê-lo tente não esmagar o caule da planta, utilize o dedo como guia e faça um buraco para inserir a planta.

A principio a planta podada terá um aspecto feio, mas em pouco tempo ela irá se desenvolver e lançar novos brotos e logo estará em toda sua plenitude novamente, as plantas de caule são as plantas aquáticas que mais crescem e exigem uma poda semanal regular para ficarem sob controle.

Plantas de Roseta (ex. Amazonenses)

São plantas de crescimento lento, porem de folhas grandes que necessitam ser podados quando atinge a superfície ou apresenta morte de algumas folhas, para remover basta deslizar a mão pela haste da folha até sua base e puxa-la, faça isto com cuidado para não remover a planta do substrato.

Estas plantas podem ser usadas como indicadores de deficiências nutricionais. Quando você remove as folhas nelas você poerá notas se estão amarelas, com buracos, etc. normalmente, isso será uma deficiência de oligoelementos (ferro, potássio, magnésio, etc.).

Se você precisar remover completamente e realocar uma planta de roseta por qualquer motivo, aproveite a oportunidade para lavar e cortar as raízes isso incentivará o crescimento de novas raízes quando replantadas, plantas de roseta necessitam de fertilização nas raízes, aproveite para colocar as vitaminas necessárias e assim garantir um bom desenvolvimento das plantas.

Plantas de rizoma (samambaia de Java, Anubias etc.).

Estas plantas crescem com um caule horizontal grosso chamado rizoma e são geralmente ligadas à madeira ou rocha, stas plantas, especialmente as anúbias, são particularmente propensas às algas, por estarem entre as que crescem mais lentamente no ambiente aquático.

Você pode reduzir esse problema sombreando com outras plantas, mas alguns danos às folhas são inevitáveis, você precisará remover as folhas de vez em quando para manter uma aparência limpa, com a Microsorium ou samambaia de Java, siga a folha até a base do rizoma. Em seguida, corte com uma tesoura o mais próximo possível do rizoma.

Com anúbias não use tesouras, você notará que as folhas crescem em uma direção a partir da haste principal. Na base da folha, dobre suavemente a folha e ela se soltará do rizoma, como nas plantas de roseta, você verá uma parte carnuda branca na base da folha destacada.

Como essas plantas normalmente crescem em objetos como troncos ou rochas, você poderá remover tudo do tanque e lavar sob a torneira e retirar todo o detrito das folhas da planta e da estrutura da raiz.

Carpetes
No que diz respeito à limpeza, basta agitar com um sifão suavemente por cima do tapete de plantas, sempre com cuidado para não sugar as plantas e bagunçar todo o substrato.

Ao podar um carpete você irá permitir o surgimento de novas folhas que continuarão a  manter a beleza do tapete evitando o apodrecimento das folhas que ficarão embaixo das novas que surgirão.
É o caso da Riccia, caso você não faça a poda, as folha que ficarão embaixo das novas irão morrer e se soltar da rede que as mantem presas, destruindo todo o ornamento que você criou.

Gramíneas (Vallisnérias, Sagittarias etc.)

Todas essas plantas estão conectadas por corredores horizontais na base das folhas, elas têm raízes normais em cada plantinha, mas puxando uma pode resultar que toda a cadeia se solte, então seja cauteloso quando podar.

Mantendo o substrato

Um substrato formado de areia ou cascalho fino irá se compactar com o tempo, e não permitirá a circulação retendo gases tóxicos com isto, estes podem acumular-se e começar a causar problemas nas plantas e na saúde dos peixes. 
Use uma ferramenta (eu uso um palito de churrasco) para mexer a areia e liberar o gás, você vai ver bolhas e talvez sinta um leve cheiro de ovo podre (sulfato de hidrogênio) que poderá estar acumulado na areia do seu tanque.

A maioria dos belos aquários que você vê, usam os mesmos equipamentos que você, a diferença entre a beleza deles e a sua é o tempo dispensado para o cuidado com TPA, fertilização, limpeza, etc. então é hora de arregaçar as mangas e botar a mão na água, boa sorte.

* Matéria escrita originalmente no site da https://www.ukaps.org/index.php?page=a-general-guide-to-plant-maintenance

20 abril 2018

Rásbora mosquito – Boraras brigittae


Com um colorido belíssimo, este pequeno peixinho encanta qualquer um que tem a oportunidade de conhece-lo de perto, com seu formato fusiforme, um brilho vermelho intenso em sua lateral e uma mancha negra em destaque, ele é simplesmente encantador.

Encontrado no Sudoeste Asiático em riachos de águas calmas e com pouca vegetação, este lindo peixinho será um ótimo morador para seu plantado, porem seu tamanho pequeno deverá ser levado em conta ao adquirir outros moradores para viverem com ele para que não seja devorado por peixes maiores.

Gosta de viver em cardumes de no mínimo 10 peixes, atinge cerca de 3cm de comprimento e é onívoro, o aquário deve ter um sistema de filtragem calmo sem muita agitação da água, pois, o peixe não é um nadador de águas correntes.

Coloque um substrato escuro assim suas cores ficarão mais acentuadas, se você tiver condições de oferecer alimentos vivos ou ricos em betacaroteno, suas cores ficarão mais acentuadas e espetaculares.

Tenha cuidado ao alimenta-lo pois como são pequenos o alimento deve ser bem triturado para que o peixe não fique impossibilitado de comer.
O aquário deve ter PH de 6.0 a 6.5, DH 3 e como já disse acima pouca movimentação na coluna d’agua, são peixes pacíficos e se dão muito bem com tetras e outros peixes pequenos.

Sua reprodução em cativeiro é difícil e pouco conhecida, estes pequeninos vivem cerca de 7 anos e não são tão fáceis de serem encontrados nas lojas especializadas, alcançando um preço elevado quando estão a venda.

06 abril 2018

Como escolher um substrato fértil?


Quem possui aquário plantado sabe que para manter a beleza do aquário em toda sua plenitude é necessário a união de diversos fatores, CO², movimentação da água, PH, DH, iluminação, suplementação, etc, etc.

Dentro destes fatores temos um que é super importante e muitas vezes negligenciado pelos aquaristas, o substrato.

O substrato é sem duvida a parte essencial na montagem de um aquário e talvez o maior responsável pelo sucesso do mesmo, nele as plantas encontrarão os nutrientes, fixarão suas raízes, a vida biológica se desenvolverá e o aquarista poderá usufruir da beleza que a vida aquática irá lhe proporcionar.

A escolha de um bom substrato fértil hoje em dia está muito mais fácil se compararmos a anos atrás, hoje existe no mercado diversas marcas que desenvolveram produtos com todos os elementos necessários para o bom desenvolvimento das plantas.

Temos uma grande variedade de materiais importados e também produtos nacionais de excelente qualidade, que podem atender com sucesso o aquarista mais exigente.

Infelizmente muitos fazem sua escolha apartir do preço do produto, o que é válido já que a coisa não anda fácil pra ninguém, porem, cabe ressaltar que as vezes o produto barato não terá a mesma qualidade, durabilidade e eficiência de um produto que foi desenvolvido com tecnologia e pesquisa voltada para garantir o melhor rendimento do mesmo.

Mais qual é o substrato ideal? Você deve estar se perguntando, bem hoje a escolha irá depender mais do quanto você está disposto a gastar, no mercado temos excelentes marcas como os Nacionais da Mbreda e os importados da Sera, ADA, JBL, Prodac, etc.

Ainda existem aqueles substratos com húmus de minhoca e laterita que também dão excelentes resultados e possui um custo/beneficio atraente, porem estes necessitam de uma camada inerte eficiente para que não haja liberação de nutrientes em excesso na coluna d’agua e consequentemente o aparecimento de algas em abundancia.

Em relação à durabilidade, o substrato geralmente dura de 2 a 4 anos dependendo da marca, após este período o mesmo começa a perder suas propriedades e as plantas não encontrarão mais nele seus nutrientes, sendo necessária a troca ou a adição de suplementos em pastilhas.

O aquarista ao fazer a escolha de um substrato deve tem em mente as plantas que ele irá ter em seu aquário, se você for cultivar apenas plantas low tech, não será necessário um substrato fértil, mas se você pretende cultivar um aquário no estilo Holandês, Nature, etc, aí sim será necessário um substrato fértil e adição de nutrientes suplementares para suprir todas as necessidades das plantas que serão muitas.

Porem não esqueça que para obter um belo aquário plantado, outros fatores devem estar combinados para que o sucesso não seja apenas parcial e que você possa desfrutar de toda exuberância de um belo aquário plantado, boa sorte!